Miscelânea #1
Lisbone Abysmée, c. 1755
Psicogeografia, Royal Book Lodge, 2026
Daniel Blaufuks, Um terramoto pessoal, 2026
Fátima Moreno, desenhos com tremideira, 2022–2023
Anne Lefebvre, L’Auvergne, 1992
Um geólogo a testar a superfície de uma falha, 2005
Isadora Neves Marques, A terra tem bolhas, como as tem a água, 2026
Ay-O, Cloth Line – World Trade Center, 1977
Bruno Zhu, Terrorismo, 2026
André Príncipe, Tóquio, 2009/2026; Nova Gibelina, 2023
Nikola Tesla, “máquina de terramotos machine”, 1894
Catalog of Earthquake-Related Sounds, 1974–1981
Cortesia de Royal Book Lodge archives/Juli Susin
“A psicogeografia é o estudo dos efeitos específicos do ambiente geográfico, conscientemente organizado ou não, no comportamento afectivo dos indivíduos…” (G. E. Debord)
Um terramoto pessoal
O sismo de 28 de Fevereiro de 1969, com magnitude entre 7,3 e 8,0 na escala de Richter, foi o mais forte a atingir Portugal continental no século XX. Ocorreu às 03:41 (CET) com epicentro a sudoeste do Cabo de São Vicente. Causou treze mortos (dois directos), danos elevados no Algarve e pânico generalizado, especialmente em Lisboa.
Esta é a descrição pela Wikipédia do primeiro terramoto que senti e cuja memória não mais me largou. E vejo agora que esta corresponde à verdade (pelo menos, torna-a verosímil), pela hora do acontecimento registada enciclopedicamente nas linhas acima. Porque a minha recordação é que, de facto, acordei a meio da noite, no meu quarto de criança, num quinto andar nas Avenidas Novas em Lisboa, com os objectos a caírem das estantes, com os gritos do meu irmão e com a entrada de rompante da minha mãe, possivelmente apavorada, a tentar sossegar-nos. Esta imagem mental das estantes e dos objectos a tremer, de molduras, bibelots, pequenos brinquedos, talvez até livros, a estatelarem-se no chão, acompanhada de um ruído que parece ainda porvir das entranhas da Terra, nunca me saiu da cabeça, como um pesadelo do qual acordamos, sem realmente conseguirmos sair dele. Porque o que me ficou foi uma sensação enorme de fragilidade perante o mundo natural, uma consciência de que, na realidade, bastam alguns segundos para perdermos, senão mesmo a própria vida, como aconteceu a treze pessoas nesse fim de Fevereiro, a vida como até aí a conhecíamos. E talvez seja ainda essa imagem, no meio de outras imagens igualmente fortes, que guia ainda hoje os meus passos. O medo de algo concreto, uma vez vivido, nunca realmente nos abandona.
Das várias réplicas, a maior foi só às 5:28, e as repercussões foram ainda mais fortes em Lisboa do que noutros locais. Segundo o Diário de Lisboa, foi uma noite de pânico em que o “país foi sacudido de madrugada”. Já o República noticiava que “tomadas de pânico, milhares de pessoas fugiam para a rua em trajes menores”, acompanhando o artigo com uma fotografia de edifícios danificados na Rua de São Mamede e uma imagem nocturna de um automóvel semi-destruído, rodeado de mirones em trajes não menores, como gabardines e sobretudos. Paralelamente, e segundo o mesmo jornal, do outro lado do mundo, outro terramoto, a ofensiva vietcong, “luta-se às portas de Saigão”, enquanto, num terramoto que ainda dura até hoje, o Líbano se tentava recompor de um ataque de Israel ao aeroporto de Beirute, em retaliação aos ataques da Organização para a Libertação da Palestina. Guerras são, em certa medida, como terramotos, embora não naturais. Bastam poucos segundos para tudo perdermos.
Nós, no entanto, não fomos dos milhares de pessoas que fugiram para a rua. Sei que a minha mãe ficou no nosso quarto, lembro-me do seu abraço, imagino que tenhamos tentado dormir, mas que o medo das réplicas não nos tenha permitido. Segundo a estação sísmica da Serra do Pilar, foram 47 réplicas até ao dia 28 de Março. E alguns meses depois, sem qualquer tipo de relação, o homem chegou à Lua pela primeira vez, fazendo de 1969 um ano cheio de emoções fortes para uma criança de cinco anos.
Lisboa e Portugal tiveram sorte dessa vez e, até hoje, na realidade, muita sorte, tendo em conta que a arquitectura, ou antes a construção, continua a fazer-se sem um mínimo de respeito pelas normas de segurança em caso de um terramoto mais forte, se vier, que há-de vir, certamente. Trinta anos depois, era o Verão de 1999, um calor insuportável, mesmo durante a noite, já eu não era a criança de cinco anos de então, senti novamente o chão do meu quarto no venerável Londra Hotel, em Istambul, tremer. Foram só uns instantes de tremor, de temor, quase nada, uns instantes em que dezoito mil trezentas e setenta e três pessoas perderam a sua vida, quarenta e oito mil novecentas e uma ficaram feridas e cinco mil oitocentas e quarenta simplesmente desapareceram. Os relatos, principalmente da região em torno de Izmit, de pessoas soterradas a utilizarem os seus telemóveis para pedir ajuda, até estes ficarem sem bateria – ainda eram Nokias sem localização e, mesmo que a tivessem, a quantidade de pedra dos edifícios derrubados era um obstáculo gigantesco –, ainda me ecoam até hoje. E mesmo nos subúrbios de Istambul, a 70 quilómetros do epicentro, o horror era bem visível, quando lá fui, uns dias depois, e as poucas fotografias que consegui fazer antes de me envergonhar por ali estar, mostram edifícios modestos, derrubados como cartas de jogar, edifícios esses em tudo semelhantes aos que se encontram, da mesma época, em qualquer subúrbio português. Einstürzende Neubauten. Foi como olhar para um possível futuro. Tenho as fotografias que o provam. Não são muito boas como fotografias, porque fotografar o horror não é para qualquer um.
Um ano depois, parti numa incrível viagem de carro pelo norte da Índia, assolado por sucessivos crimes de ódio contra a população muçulmana. Era o início de um processo social e político em que o hinduísmo, o nacionalismo e o fascismo se misturavam com os resultados que hoje são ainda mais evidentes. O realizador Saeed Mirza, em quem Salman Rushdie se inspirou para a personagem do jardineiro nos Versículos Satânicos, e em cuja pequena equipa eu me integrava, tinha iniciado a rodagem de uma série de pequenos filmes, para uma ONG, sobre os ataques ocorridos recentemente em várias regiões do país, nomeadamente a imolação de muçulmanos nas suas próprias casas no estado de Gujarat. Os perpetradores eram, em grande parte, os vizinhos das vítimas, que iniciavam pogroms, muito semelhantes aos que ocorreram contra os judeus um século antes na Rússia e na Polónia. Entre entrevistas e rodagens, tivemos tempo de provar o suposto melhor Gulab Jamun de toda a Índia, num insuspeito local à beira da estrada, de ir até Ladakh no Tibete indiano, comendo e vomitando momos pelo caminho, devido à altitude, e de ver um rato do tamanho de um gato na noite de Lucknow. Mas foi ainda no Gujarat que me apaixonei pela simpatia e costumes das gentes de Kutch, pelos olhos claros das crianças, possíveis sinais de anemia, e, principalmente, pela cidade de Bhuj, onde as pessoas eram alegres e coloridas, e os edifícios eram de uma arquitectura diferente do resto da Índia que conhecia. Passámos dias a filmar, e eu também a fotografar, a tirar retratos, homens, mulheres, crianças, porque todos me pareciam bonitos e todos queriam ser fotografados. Quando regressei a Lisboa, imprimi uma série dessas fotografias na minha impressora, criando um pequeno álbum numa pasta de micas, e todas aquelas fotografias, todas aquelas pessoas, à distância, me pareceram irreais, como se aqueles dias tivessem sido sonhados e não vividos. Um tempo depois, por azar e incompetência minha, todos os ficheiros dessas fotografias e de todas as outras da longa viagem, de Mumbai ao Tibete e mais longe, passando rés-vés por Cachemira, perderam-se com o rebentamento de uma memória digital. Eram os primeiros tempos dessa nova tecnologia, que hoje penso que veio dar cabo do mundo, e aquele foi para mim o primeiro aviso. Nenhuma fotografia restou, salvo as pequenas impressões das fotografias de Bhuj. E, uns meses após o meu regresso, a 26 de Janeiro de 2001, dia da União Indiana, uma desgraça infinitamente maior aconteceu. Às 8:46 da manhã, a Terra tremeu com uma força devastadora, seguida de 107 réplicas ao longo de um ano, matando, apenas em Bhuj, dez mil e oitocentas pessoas, ferindo cento e sessenta e sete mil e destruindo ou tornando inabitáveis 95% dos seus edifícios, entre hospitais, escolas e velhos templos. A cidade que me fascinara desapareceu, assim como as fotografias dessa viagem. Os conflitos entre hindus e a minoria muçulmana, infelizmente, não – só pioraram. E, na minha memória, quando tento recordar a cidade perdida de Bhuj, só consigo recordar-me das caras das pessoas nas fotografias igualmente perdidas que lhes tirei.
Os anos passaram e os terramotos e, hélas, os seus contrapontos marítimos, os maremotos, seguiram-se, com consequências muitas vezes devastadoras e que observamos com espanto nas imagens televisivas. São não só sinais evidentes da nossa impotência perante a Natureza, como também da nossa fragilidade humana, embora continuemos a actuar como se fôssemos os proprietários do planeta. Senti uma parede tremer na Graça, em Lisboa, uma noite a cama deu um salto em Birre, observei rachas e fendas surgirem repentinamente, tudo pequenos nadas. No Japão, reparei nos edifícios preparados para se deslocarem alguns metros e em torres com elasticidade suficiente para resistirem a altos valores na famigerada escala de Richter. Esta não mede, no entanto, todos os nossos sobressaltos interiores, todos os terramotos pessoais que compõem as nossas vidas. Esses são medidos através de outras escalas, através de textos, poemas, filmes, objectos artísticos, coreografias, sons, músicas, tudo o que é fundamental para continuarmos a ser seres humanos empáticos e conscientes de que bastam uns instantes para que o nosso conforto desabe ao nosso redor. E aí, em qualquer momento, qualquer um de nós poderá tornar-se um dos refugiados, um dos exilados, um dos emigrantes, um dos desabrigados, que as nossas sociedades, tão contemporâneas, tão pós-modernas, tão inclusivas, tendem a menosprezar.
Daniel Blaufuks, Birre, 7 de Abril de 2026
Anne Lefebvre, L’Auvergne, 1992. Impressão gelatina e sais de prata, 23.8 × 17.7 cm. Cortesia da artista.
Um geólogo desliza pela superfície polida de uma falha, demonstrando a direcção do movimento do bloco situado acima do plano de falha (autor desconhecido, s.d.). Earthquakes in Human History: The Far-Reaching Effects of Seismic Disruptions por Jelle Zeilinga de Boer e Donald Theodore Sanders, figura 1.7 (p. 14). © 2005 Princeton University Press. Reproduzido com permissão do editor.
A terra tem bolhas, como as tem a água
É comum usarmos termos geológicos para descrever eventos emocionais. Por exemplo, “o chão abriu-se debaixo dos meus pés”, “estou abalado” ou “a ferver por dentro.” Expressões como: “estar atolado”, “uma avalanche de emoções” ou até “afoguei-me.” Paixões que nos fazem dizer: “o meu coração arde.” Ou “uma enxurrada de sentimentos”, “um deserto emocional.” Serão estas meras metáforas? Ou será preferível vê-las como uma tentativa inconsciente de nos apoiarmos na Terra quando confrontados com um evento maior que a vida? Um apego psicológico ao solo, ou uma espécie de limite emocional perante o qual a única fuga linguística possível é uma dissolução do nosso Eu egóico numa ecologia dos humores telúricos.
Uma opção é ver estas metáforas, por vezes analogias, como uma mnemónica da biologia evolutiva, talvez mesmo um “regresso ao útero”, para usar o vocabulário de Sándor Ferenczi. Outra opção é seguir Lacan, que segue Freud, e ver estes eventos geológicos como uma rutura, a revelação súbita ou o arrebatamento do Real. Entre o regressus ad uterum de Ferenczi e o sentimento oceânico de Freud, a diferença é residual; ou melhor, trata-se de uma diferença de grau: o que é o útero e qual a sua escala — humana ou planetária? Já o Real não é nem uma nem outra imagem, mas a desaparição de qualquer imagem.
Pensemos na ruminação obsessiva e na compulsão intrusiva, que tanto ocultam quanto transmitem o inominável — o demasiado Real. A verdadeira, devastadora perturbação obsessivo-compulsiva (TOC) que se manifesta como a recusa da vertigem do sentimento oceânico, agarrando-se à costa ou a um qualquer ramo de árvore nas margens de um rio através da somatização. Mas pensemos também num evento avassalador perante o qual somos impotentes, não importa quanto protestemos ou a força e união que encontremos no coletivo (outra forma, mais precária, de dissolução egóica), como uma guerra ou um genocídio demasiado Real. Nesses momentos, é como se a Terra não bastasse e o chão deixasse de ser sólido – então, como numa transferência psicanalítica, a linguagem procura casa nas ecologias da Terra, a casa original. “Tudo o que é sólido e estável se esvai no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são finalmente forçados a encarar sem ilusões a sua posição social e as suas relações mútuas,” escreveram Marx e Engels, numa veia menos psicanalítica. Exemplos excessivamente dramáticos, talvez. Pensemos então, também, no amor. O deserto (nuclear!) emocional que vem com o fim de um relacionamento, ou uma paixão que nos atinge como uma avalanche, um amor declarado, como o de Julieta a Romeu: "A minha generosidade é tão vasta como o mar, o meu amor tão profundo." Amor transformador e infinito — divino? Sim, terminemos com o amor divino: "o terremoto da alma" n’ A Divina Comédia de Dante, esse arrebatamento experimentado no quinto círculo do Purgatório. Num lugar livre de qualquer alteração física, pois essa é a lei natural do Purgatório, as causas do terremoto são metafísicas: por fim, a alma está livre da disciplina da purgação.
Este lugar está livre de toda a perturbação:
o que o céu de si e em si
recebe pode aqui servir de causa — nada mais.
Pois só aqui treme
quando alguma alma se sente purificada, de modo que se eleva
ou se move para subir mais alto; e então segue-se aquele grito.
A metafísica expressa no físico. Os nossos dramas sublimados linguisticamente na Terra. Perante os eventos geológicos da nossa vida, podemos dizer, não, podemos apenas murmurar, novamente com Shakespeare, como Banquo perante a aparição e desaparição das Irmãs Weird em Macbeth: “A Terra tem, como a água, as suas bolhas. E estas o são.”
Isadora Neves Marques, 2026
Ay-O, Cloth Line – World Trade Center, 1977. Impressão cromogénea, 50 × 40 cm. Cortesia Emily Harvey Foundation Collection, Veneza.
Na tarde de 11 de Setembro de 2001, eu e a minha prima mais velha estávamos a ver televisão quando uma notícia de última hora de Nova Iorque interrompeu o nosso filme. Um edifício chamado World Trade Center estava em chamas. Um avião tinha embatido contra a Torre Norte. O jornalista repetia a sequência de acontecimentos até ao momento da colisão, mas eu não estava a perceber o que ele dizia. O que era o WTC em NYC? Qual era a diferença entre NYC e NY? Qual era a diferença entre USA, US e EUA? Dezassete minutos depois, um avião voou contra a Torre Sul. Nessa altura, o meu avô já se tinha sentado ao nosso lado, com uma chávena de chá acabado de fazer. Perguntou-nos o que se estava a passar. A minha prima respondeu que havia aviões a chocar contra prédios na América e desatou a chorar. Tentei sentir-me triste como ela para a reconfortar. Franzi o rosto e olhei com muita atenção para os prédios em chamas, as multidões a correr em pânico, os anéis de fumo denso à volta das torres, mas tudo o que conseguia sentir era indiferença. Uma hora depois, vimos uma antena no topo de um edifício que se abatia sobre si próprio. Uma das torres estava a desmoronar-se em directo, sem som. Senti um arrepio, um sobressalto de excitação. Um «estrondo» sem som parecia lógico, mortalmente belo.
Bruno Zhu, Terrorismo, 2026
André Príncipe, Terramoto, Tóquio, 2009. Fotografia 35 mm, p&b. Cortesia do artista.
Nos primeiros dias acordávamos de madrugada. As possibilidades, o calor e a humidade eram tremendos. Uma manhã, a loiça começou a mover-se nas prateleiras. O tilintar dos copos fundia-se com o som de comboios a passar, coisas a partir-se no chão, a banda sonora de um Tarkovsky.
O metro? Voltei-me para a janela. As paredes moveram-se para trás e para a frente, como canas. A paisagem, os prédios, mexeram-se, de um lado para o outro, como uma má ideia. Não há metro aqui!
Olhei para L., uma estátua, em transe, com os olhos a brilhar. Comecei a sentir-me dominado pelo medo. Estávamos meio despidos, descalços. L. não se movia. Peguei-o pelo braço. No meio dos tremores, descemos as escadas limpas, burguesas, um sítio onde morrer.
Passado uns segundos, a Terra, indiferente, parou de se mover. Pouca gente na rua, sete da manhã, os edifícios no sítio.
Sem saber bem o que fazer, subimos, de regresso ao apartamento. Eu ia começar a filmar dali a uns dias e L. ia gravar o som. Devíamos ter-nos calçado, havia vidros por toda a parte. Abracei-o e senti o seu corpo, quente e rígido, sem reação. Terramoto, disse L., Terramoto. Virou-se para mim e disse, Mais Terramotos.
Quero Terramotos.
André Príncipe, Tóquio (2009), 2026
Nikola Tesla, Reciprocating Engine, ou “máquina de terramotos machine”, 1894 (reconstrução digital 3d).
A chamada «máquina de terramotos» de Nikola Tesla — um oscilador eléctrico compacto — terá feito tremer a baixa de Manhattan, num abalo alegadamente provocado pela sintonização com a frequência de ressonância de um edifício. O próprio Tesla afirmava que o efeito resultava de fixar o aparelho a uma viga, permitindo à vibração encontrar o seu eco. Reza a lenda que terá entrado de rompante numa reunião, com a versão de bolso na mão, alarmado com as implicações da invenção: se fosse possível ampliar essa ressonância — se se descobrisse a frequência do próprio planeta — o solo poderia não resistir. Seja mito ou ciência mal recordada, a história persiste: um mundo sempre à beira de ser desfeito pelos seus próprios ritmos ocultos.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, gravação #6 (Karl V. Steinbrugge, 1974–1981).
Localização e/ou designação: Terramoto do Alasca de 1964 (também referido como "Terramoto da Sexta-Feira Santa" e "Terramoto de Prince William Sound")
Data e hora: 27 de Março de 1964, 17:36:13.0 AST
Epicentro: 61,0° N, 147,8° O
Magnitude: 8,4. Intensidade MMI no local: VIII (?)
Local da gravação: 801-05 NW Fourth Avenue, esquina com H Street, Anchorage, Alasca
Dois advogados (David H. Thompson e Howard Pollock), um patologista (Dr. Fred Strauss) e uma estenógrafa judicial (Margo Britch) estavam a gravar um depoimento quando ocorreu o terramoto. Os seus comentários foram registados num gravador portátil, que funcionou até à falha de energia. Esta gravação abrange o início do abalo (...). Foi realizada no primeiro andar de um edifício de dois pisos com estrutura de madeira, que resistiu ao terramoto.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, compilado por Karl V. Steinbrugge, 1974–1981. Gravação #6 e excertos das suas notas. Cortesia Seismological Society of America.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, gravação #10 (Karl V. Steinbrugge, 1974–1981).
Localização e/ou designação: Terramoto de Santa Rosa, Califórnia, de 1969
Data e hora: 1 de Outubro de 1969, 21:56:46.5 PDT (primeiro abalo); 23:19:57.1 PDT (segundo abalo)
Epicentro: 38°28.0′ N, 122°41.5′ O (primeiro abalo); 38°27.3′ N, 122°41.5′ O (segundo abalo)
Magnitude: 5,6; 5,7. Intensidade MMI no local: VII a VIII
Apenas o primeiro abalo foi gravado. Local da gravação: 3148 Calistoga Road, perto de Santa Rosa (a 5 milhas a leste do cruzamento entre Sonoma Highway e Calistoga Road, numa zona conhecida como Alpine Valley)
Não estão presentes sons do terramoto, sendo apenas possível detectar a duração do abalo — 11 segundos ou mais —, uma vez que a gravação resultou de uma transcrição electrónica directa de um disco de longa duração para um gravador de fita. Não foi captado qualquer ruído exterior, à excepção das vibrações do braço do gira-discos.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, compilado por Karl V. Steinbrugge, 1974–1981. Gravação #10 e excertos das suas notas. Cortesia Seismological Society of America.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, gravação #18 (Karl V. Steinbrugge, 1974–1981).
Localização e/ou designação: El Centro, Califórnia (Terramoto de Imperial Valley)
Data e hora: 15 de Outubro de 1979, 16:16:54.5 PDT
Epicentro: 32,63° N, 115,33° O
Magnitude: 6,6. Intensidade MMI no local: não estabelecida
Local da gravação: Uma breve gravação realizada numa casa em El Centro, presumivelmente interrompida por uma falha de energia.
Catalog of Earthquake-Related Sounds, compilado por Karl V. Steinbrugge, 1974–1981. Gravação #18 e excertos das suas notas. Cortesia Seismological Society of America.
André Príncipe, Nova Gibelina, 2023. Fotografia digital a cores. .Cortesia do artista.
Imagem de Capa
Lisbone Abysmée, c. 1755 (autor desconhecido). Gravura sobre papel, 36.1 × 46.5 cm. (Bibliothèque nationale de France) Psicogeografia, Royal Book Lodge, 2026
Miscelânea #1
Miscelânea é um projecto editorial desenvolvido no âmbito de RedSkyFalls, a instalação de Alexandre Estrela apresentada no Pavilhão de Portugal da 61.ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia 2026.
Integra documentos de diferentes proveniências: contributos originais produzidos a convite; materiais cedidos pelos autores ou recolhidos no âmbito da investigação editorial; e documentos do Arquivo Sísmico Portátil.
Agradecemos a todos os que generosamente contribuíram para este número.
Edição, tradução e revisão
Paloma Portela e Ana Baliza
Com contribuições do Arquivo Sísmico Portátil reunido por Marco Bene
Miscelânea #1 and #2 publicadas na Contemporânea, Julho de 2026
Miscelânea #3 publicada na Wrong Wrong, Julho de 2026
Textos, imagens, vídeo e som © os autores
Miscelânea © 2026 RedSkyFalls
Os documentos reunidos nesta Miscelânea são reproduzidos e citados para fins de investigação, discussão e divulgação cultural.
Foram feitos todos os esforços para identificar e creditar autores e titulares de direitos. Se alguma atribuição estiver incompleta ou incorrecta, ou se for titular de direitos e pretender contactar-nos a propósito da utilização destes conteúdos, escreva para editorial@redskyfalls.com.