Missa Utica é um novo capítulo da obra de Sammy Baloji: Fragments of Interlaced Dialogues, que abrange vários anos de investigação e produção artísticas, em diálogo com uma variedade de objetos do Congo reunidos na Europa ao longo dos últimos cinco séculos e atualmente conservados em diferentes museus. Após capítulos em Florença, Paris e outras cidades-chave na história do Congo, este capítulo leva o artista a Utica, na Tunísia, onde, no século XVI, foi nomeado o primeiro bispo africano na sequência de inúmeros intercâmbios entre a Europa cristã (em particular, os portugueses) e o Reino do Congo. Em Missa Utica, a investigação histórica cria a base para uma obra de arte interdisciplinar que funde o texto poético escrito por Fiston Mwanza Mujila, a criação musical de Pytshens Kambilo e Barbara Drazkov, a performance de Bwanga Pilipili e a instalação cenográfica de Sammy Baloji. Esses elementos existem num diálogo constante, tornando esta obra num híbrido entre concerto, instalação artística e performance.
Inspirado nas palavras da artista e poeta libanesa Etel Adnan que reflete sobre conflito, migração, exílio e identidades híbridas, e convocando um tempo geológico além da escala humana, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM dá título ao programa de performances, com curadoria de Alexandra Balona, que integra o projeto mais amplo da Contemporânea, ON HYBRIDITY AND THE POETICS OF RESISTANCE, sob direção artística de Celina Brás.
MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM apresenta performances de Sammy Baloji, Ali Cherri, Noor Abed e Haig Aivazian, Shahd Wadi com James Newitt, Ana Isabel Castro, e Marcelo Reis. O programa circula do Atlântico ao Mediterrâneo, num território fluído que articula Europa, Ásia ocidental e norte de África, não somente como geografia partilhada, mas como campo relacional, moldado por regimes de poder, de mobilidade e visibilidade diversos. Questionando historicidades eurocêntricas, narrativas hegemónicas e coloniais, examinando a erosão de fronteiras ideológicas e geopolíticas, o programa propõe, através da performance, temporalidades alternativas que problematizam os limites da perceção e do real.
Estrutura-se em três momentos: o primeiro tem lugar no CAM - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no dia 19 de setembro, celebrando o segundo aniversário da reabertura deste espaço. O segundo momento, no dia 3 de outubro, integra o programa que assinala a reabertura do Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto. Finalmente, o terceiro momento tem lugar no dia 10 de outubro, na Rampa, um espaço de arte independente no Porto.
No anfiteatro ao ar livre do CAM – Gulbenkian, apresenta-se em estreia nacional a performance Missa Utica (2024), do artista congolês Sammy Baloji, que revisita os primeiros contactos entre a Europa e o Reino do Congo, cruzando memória colonial, espiritualidade e música.
No Mosteiro de São Bento da Vitória, o segundo momento inicia com a estreia absoluta de Matei o Pássaro (2026), performance da artista palestiniana Shahd Wadi, com o artista australiano James Newitt. Segue-se a estreia nacional de Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), da artista palestiniana Noor Abed com o artista libanês Haig Aivazian, uma performance de som, texto e voz, em que o corpo se torna um lugar de ressonância, resistência e memória. O artista libanês Ali Cherri apresenta, em estreia nacional, The Book of Mud (2025), uma performance que parte do fascínio pela lama enquanto matéria e metáfora, explorando-a como símbolo da transformação contínua que molda tanto a natureza como a história, propondo uma reflexão entre poder, geologia e memória. Este evento termina com um momento de celebração e convivialidade em torno da mesa.
O terceiro momento, na Rampa, apresenta duas performances inéditas: street tease (2026) de Ana Isabel Castro e a vídeo-performance Barragem dos Minutos, de Marcelo Reis.
MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM
Programa de Performances Contemporânea, 2026
CAM - Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
Sábado, 19 de setembro
20:00 — Sammy Baloji: Missa Utica (2024) – estreia nacional
Mosteiro São Bento da Vitória, Porto
Sábado, 3 de outubro
16:00 — Abertura
16:30 — Shahd Wadi com James Newitt: Matei o Pássaro (2026) – estreia absoluta
17:30 — Noor Abed e Haig Aivazian: Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025) – estreia nacional
18:30 — Ali Cherri: The Book of Mud (2025) – estreia nacional
20:00 — Convívio
Rampa, Porto
Sábado, 10 de outubro
15:00-19:00 — Ana Isabel Castro, street tease (2026) – estreia absoluta
19:00 — Marcelo Reis, Barragem dos Minutos (2026) – estreia absoluta
Um projeto Contemporânea em parceria com CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian
Direção artística
Celina Brás
Curadoria
Alexandra Balona
Local
CAM - Gulbenkian, Lisboa
Anfiteatro ao Ar Livre
Data
19.09.2026
20h00
Entrance
Bilhete
Financiamento
DGARTES
República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
Plaka / Porto
Apoio
Embaixada da Bélgica
Wallonie-Bruxelles
Imagem de Capa
Sammy Baloji, Missa Utica. Foto: Caroline Lessire. Cortesia do artista.