Ir para o conteúdo

Contemporânea

  • Projetos

  • Sobre

  • pt / en

    Novos Imaginários para a Cidade Contemporânea: Agência Humana e Responsabilidade no Antropoceno. Uma Entrevista com Territorial Agency.

    M Vulfson

    por M Vulfson

    Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, que juntos formam a organização Territorial Agency (TA), são dois dos principais urbanistas da atualidade. Ao longo da última década, têm explorado as implicações arquitetónicas do Antropoceno — a hipótese, proposta por Paul Crutzen1, de uma era geológica marcada pelo impacto dominante da atividade humana — através de exposições que transformam grandes volumes de informação em visualizações acessíveis e questionamentos críticos.

    O seu projeto mais recente — a curadoria da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2025: How heavy is a city? (Quão pesada é uma cidade?) — coloca a urbanidade no centro das questões do Antropoceno. Como esclarecem nesta entrevista, a ideia do peso da cidade não é nova. A questão é como medir esse peso. Como apreender a sua escala planetária, e assumir responsabilidade e agência na forma que damos à urbanização do futuro?

    A TA perspetiva a cidade contemporânea não só enquanto espaço urbano, mas como “uma intensificação de todos os processos que ocorrem à superfície da terra”:

    A cidade está no céu, no aumento dos gases com efeito de estufa, das tempestades e do calor. A cidade está na terra, nas florestas e montanhas, na reconfiguração dos biomas e nos plásticos microscópicos presentes em quase todos os animais. A cidade está no desaparecimento da neve e do gelo dos glaciares, nos fluxos de água canalizados e segmentados a que costumávamos chamar rios, e na deposição de sedimentos nos deltas. A cidade está na aceleração da subida do nível do mar, na reconfiguração da circulação oceânica, na sobrepesca e no desaparecimento dos recifes de coral.2

    Esta urbanização, impulsionada pela tecnologia, tem um impacto profundo em toda a vida na Terra. Apesar das potenciais consequências distópicas, a TA encara o nosso tempo como um grande desafio: assumir a responsabilidade pelos danos da tecnosfera e inaugurar um novo projecto de coabitação.

    A conversa que se segue revela o entendimento da TA sobre o Antropoceno e a urbanização enquanto processos-chave para compreender o seu trabalho — e a Trienal de Lisboa — articulando, através de modalidades complexas, novos imaginários da cidade contemporânea.3

    Maria Kruglyak [MK]: O vosso trabalho oferece uma perspetiva muito particular sobre uma intersecção de dicotomias que também é central para a HYBRID: a da catástrofe e utopia. Como se posicionam nessa dicotomia relativamente à Terra? O que entendem por aquilo a que chamamos de catástrofe climática ou caos climático?

    Territorial Agency: Para responder a essa questão, é preciso reconhecer duas mudanças: primeiro, que estamos num momento de reconcetualização do que é a “Terra”; segundo, que, enquanto desenvolvemos esse entendimento renovado, tomamos cada vez mais consciência das profundas transformações que causamos. E isso exige uma nova viragem espacial.

    A primeira mudança está ligada à revolução científica, quando Galileu Galilei mostrou que a Terra é um pequeno planeta a orbitar o Sol, revelando a insignificância da nossa casa perante o cosmos. O impacto dessa revolução científica foi sentido sobretudo a nível teórico, sem grande impacto na vida quotidiana.

    Hoje, a descoberta de Gaia — a hipótese de James Lovelock e Lynn Margulis de que a vida regula a Terra — é talvez ainda mais radical: demonstra que fazemos parte de uma entidade viva.4 Não estamos apenas entre outros seres vivos; somos parte de uma entidade coletiva.

    Isto coincide com uma segunda mudança: a complexa tomada de consciência da transformação que exercemos sobre a vida. É esta a noção de Antropoceno: a nova época geológica, em que todos os parâmetros da longa estabilidade climática da Terra no Holoceno foram alterados.

    Enfrentamos uma dupla transformação. Por um lado, há uma reorientação para a vida. Por outro, começamos a descobrir as condições em que a vida transforma o planeta e regula o seu próprio ambiente. Apercebemo-nos de que alguns humanos têm um efeito em cadeia sobre este complexo sistema de regulação — e é isso que define o que chamamos de Antropoceno. Compreendemos estas condições ao mesmo tempo que as alteramos, transformando profundamente a Terra e conduzindo-a por uma trajetória que pode pôr em risco a própria vida. Talvez seja esta a verdadeira dificuldade que ecoa nas ideias de crise e caos que tantas pessoas sentem.

    Há ainda outro aspeto na nossa resposta, ligado à dimensão espacial. Com esta transformação, já não nos vemos como uma pequena entidade num cosmos imenso, mas como parte de Gaia — e estar no interior é uma condição muito mais interessante. É aqui que o catastrofismo dá lugar à ação, à agência: uma agência inserida nesta Terra surpreendente e autorregulada, parte de um complexo sistema de relações, circularidades e metabolismos. Isto significa que podemos coorganizar a coabitação de um outro modo; que podemos, com outras entidades, forjar novas formas de viver em conjunto.

    Vivemos um momento simultaneamente ameaçador e estimulante, porque “estar no interior” ou “viver com” são conceitos contrários à história da modernidade. Os modernos olhariam para estas mudanças como se estivessem do lado de fora, avançando de A para B através de planos lineares, sem voltar atrás nem reconhecer que, afinal, sempre estiveram no interior, implicados nas consequências dos próprios planos que traçavam.

    MK: Reconhecer que fazemos parte de um sistema com agência — e que somos, por isso, capazes de mudar o curso das coisas — é também uma forma de recuperar a esperança na Terra, ou neste sistema como um todo.

    TA: Há tanto trabalho por fazer. É o que dizemos sempre. A questão é compreender que agimos com, e não sobre. Esta ideia retoma o trabalho de Andy Pickering sobre cibernética.5  A agência não se resume à capacidade humana de exercer poder; está ligada, como nos lembra o nosso querido amigo Bruno Latour, à forma como as associações, amálgamas e redes complexas que compõem o mundo se articulam e distribuem.6 A agência é o que mantém tudo isto ligado.

    MK: Isso remete para o vosso trabalho, de há mais de uma década, com Armin Linke e Anselm Franke no HKW: The Anthropocene Observatory [Observatório do Antropoceno] (2013).7 Como evoluiu, desde aí, a vossa compreensão do Antropoceno?

    TA: O Observatório do Antropoceno foi uma oportunidade extraordinária, sobretudo por nos ter permitido colaborar com o Armin e o Anselm, e conhecer os proponentes da ideia do Antropoceno. Entrevistámos Paul Crutzen e todos os investigadores do Grupo de Trabalho do Antropoceno, de geólogos e outros cientistas a juristas, antropólogos, ativistas, artistas, e pessoas no terreno, como agricultores, diplomatas, políticos. Acompanhámo-los, fizemos perguntas e conhecemos a fundo o seu trabalho — foi um primeiro olhar valioso.

    Em 2013, ainda era difícil perceber se o que cientistas, filósofos e académicos das humanidades observavam correspondia a uma mudança no sistema-mundo (como mais tarde lhe chamaríamos) ou apenas à recuperação de uma política da Natureza. A hipótese inicial era só um vislumbre de algo emergente, e era difícil discernir o Antropoceno como uma nova época geológica. Hoje, está muito mais claro para todos os envolvidos que a hipótese da grande aceleração, proposta por Paul Crutzen e Will Steffen, marca um afastamento real do longo período do Holoceno. O Antropoceno é agora um conceito estável, usado com clareza em várias disciplinas, práticas, culturas e geografias.

    Ao mesmo tempo, tornou-se também uma hipótese mais contestada, tanto nas ciências como nas humanidades. A oposição científica adquiriu uma dimensão claramente política — não no sentido partidário, mas pelas implicações do Antropoceno para as complexas agências da ciência, com grupos científicos e processos de institucionalização e formalização cada vez mais divergentes e sobrepostos. Isto culminou, em abril [de 2024], na controversa rejeição da formalização do Antropoceno como parte da escala do tempo geológico.

    Quanto a nós, passámos de observadores do Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno a membros ativos, contribuindo para estabilizar o conceito nos campos culturais e noutras áreas. O grupo é muito diverso, reunindo especialistas em direito internacional, historiadores, historiadores da ciência, e pessoas preocupadas com a relação entre inteligência artificial e as chamadas fake news. Toda a articulação entre o sistema-mundo e o sistema-Terra entrou num espaço de debate muito mais fértil.

    MK: Como curadores principais da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2025, trazem uma questão de enorme escala — o peso da cidade — num momento de intensificação das dinâmicas de urbanização, marcado por incêndios florestais, desflorestação, monoculturas e planos extrativistas extremos. Como estão a imaginar a Trienal?

    TA: A ideia de que a cidade é pesada não é nova. O que mudou é que hoje a cidade assume uma dimensão planetária — o que nos remete à pergunta inicial sobre a Terra. How heavy is a city? teve início há bastante tempo, no âmbito do Observatório do Antropoceno, em diálogo com geólogos como Colin Waters, Mark Williams, Jan Zalasiewicz e outros membros do Grupo de Trabalho do Antropoceno.

    A ideia era começar a caraterizar o que o falecido Peter Haff chamou de tecnosfera8 — a nova dimensão da Terra, um desdobramento da biosfera. Assim como temos a litosfera, a atmosfera, a hidrosfera (com a água), a criosfera (com a neve e o gelo) e a biosfera, Haff propôs a tecnosfera como novo componente: um desvio nos processos da biosfera, em que a absorção de energia, materiais e informação passa a operar numa escala inédita. A tecnosfera é composta por uma rede de estruturas tecnológicas que sustentam a vida humana — desde o que comemos, à agricultura, à domesticação de animais e plantas, à piscicultura, às estruturas que suportam esses fluxos materiais, à energia que lhes está subjacente e à produção industrial. A hipótese da tecnosfera diz-nos que essa dimensão se tornou parte da própria Terra. Para nós, a cidade contemporânea é a tecnosfera.

    A cidade contemporânea já não corresponde ao que nos habituámos a imaginar como cidade. As pequenas unidades a que ainda chamamos Lisboa, Londres, Reiquiavique, Kuala Lumpur, etc. são componentes individuais de uma estrutura planetária — de um paradigma planetário, para usar um termo geológico — com uma magnitude comparável à da biosfera. Essa estrutura consome tanta energia quanto a produção primária líquida (ou seja, a energia que a biosfera retira do Sol e que circula pelas cadeias tróficas, ou alimentares).

    Vivemos agora numa magnitude sem paralelo, em termos de fluxos de massa, energia  e informação. É estranho pensar que o espaço que habitamos — a cidade como lugar de ação política, de inovação, de tradição, de transformação contínua das línguas e da literatura, da arquitetura, da poesia e da música — passou a integrar um sistema planetário auto-organizado, semelhante à atmosfera. Um sistema movido por dinâmicas que escapam totalmente ao nosso controlo. É daí que nasce a pergunta: quão pesada é uma cidade?, que nos conduz ao plano planetário e ao que significa agir neste espaço.

    Lisboa é central neste projeto porque o problema da agência começa com o terramoto de Lisboa. A questão é se vivemos num mundo dividido, como diria Santo Agostinho, entre a Cidade da Terra, mundana, e a Cidade de Deus. Com o terramoto, a noção de bem e mal mudou radicalmente. Teria sido um castigo divino? Quais as relações entre providência e ação? A reflexão sobre a agência e a possibilidade de um mundo bom lançou a cultura europeia num processo de secularização — iniciado por Voltaire e uma constelação de pensadores, filósofos, matemáticos, cientistas e poetas que procuraram fundar uma visão secular (e tecnológica) da cidade. Hoje, vivemos um momento semelhante, mas o que garante a estabilidade da nossa coabitação já não é o tremor da litosfera, é a tecnologia. A mesma tecnologia que sustentou o projecto científico e secular está agora a causar, ou a agravar, a crise do Antropoceno: alimenta incêndios, faz subir o nível dos oceanos, empurra aves, animais e plantas em direção aos pólos. E é, ao mesmo tempo, a tecnosfera que nos permite vislumbrar a escala da disrupção que impomos aos espaços de vida preexistentes.

    A primeira inversão de agência que os visitantes da Trienal encontram é entre o que nos habituámos a considerar exterior e interior. Cada uma das três exposições — Fluxes, Spectres e Lighter — parte dessa inversão para explorar a pergunta Quão pesada é uma cidade? e desdobrá-la numa multiplicidade de outras questões. Quem a mede? O que significa medir? O que produzem essas medições? A quem pertencem e quem as pode usar? Onde termina a medição? Mede-se a informação? De manhã ou à noite? Ao longo de séculos? O que significa ter agência? E não a ter — não conseguir moldar o próprio ambiente? O que implica termos produzido betão suficiente para cobrir o planeta inteiro com uma camada de dois centímetros? E imaginar que as cidades, como os vulcões, emitem gases, deslocam matéria e transformam a coabitação?

    Todas estas questões resultam de termos concebido a Trienal como uma coligação de pensadores, arquitectos, filósofos, artistas e poetas, cada um a contribuir para o desdobramento desta pergunta. O que o público encontrará é um conjunto de questões que aprofunda a dimensão planetária da cidade contemporânea — daquilo a que antes chamávamos cidade.

    Trata-se de encontrar um novo imaginário para a cidade e formas de o expressar. Se a cidade está no oceano, se está na atmosfera — se Lisboa está no oceano, se está na atmosfera — se recebe algo de outras partes da Terra, então o seu imaginário é já totalmente diferente do mapa tradicional da cidade. Precisa, por isso, de novas imagens; e é isso que a Trienal propõe.

    MK: Quando falam em expansão, intensificação e peso, começo a imaginar a cidade como um buraco negro numa rede gravitacional de recursos, que suga tudo ao seu redor. Estou na pista certa?

    TA: Em parte. A ideia da cidade humana como um buraco negro é interessante. Do ponto de vista energético, a cidade é uma condição negativa da biosfera. É onde abrimos buracos na biosfera, como diz Mark Williams, e imaginamos espaços fechados a outras formas de vida. Basta olhar em volta: nos lugares criados por humanos, resta muito pouco espaço para outras espécies — animais, aves, bactérias, fungos — que, no entanto, continuam a proliferar e a manter a Terra em funcionamento.

    Ao mesmo tempo, não estamos a tentar articular algo diferente do que já é vivido por todos — e a cidade não é um mero fardo. Perguntar “quão pesada é uma cidade?” é também um apelo à responsabilidade pelos espaços que criamos e habitamos. Neste contexto, o design, o urbanismo e a arquitetura tornam-se centrais. A arquitetura, entendida como a relação entre a habitação e a condição material que forjamos, é a dimensão-chave desta investigação.

    O que significa pensar um projecto para a cidade em que esta não é apenas um objecto sobre o qual se atua, mas algo dentro do qual vivemos — em conjunto com outros fluxos e condições? Trata-se de democratizar a tecnologia, a ação e a responsabilidade de planear e tomar decisões com impacto na vida dos outros. É um apelo à urgência de transformar a cidade. Não podemos continuar a concebê-la como se vivêssemos num mundo estável, precisamos de muito mais feedback. Precisamos de adaptação e de mitigação face às convulsões do Antropoceno.

    Vivemos num mundo industrializado. Um mundo dominado pela tecnologia, que é o principal motor de transformação da atmosfera, dos oceanos e da biosfera. Acreditar que nada podemos fazer é, aos nossos olhos, uma posição moralmente problemática.

    A pergunta Quão pesada é uma cidade? é também uma questão de equilíbrio: como equilibramos as ideias? Não para escapar à violência implícita na tecnologia, mas para encarar de frente a violência da tecnosfera. Não há utopia. Não há exterior. Tivemos 500 anos de utopia da modernidade — e já chega. Agora, é tempo de regressar aos nossos sentidos. A questão de como avaliar tudo isto é o nosso pequeno contributo para o reconhecimento de que a secularização exige responsabilidade.

    MK: Esta ideia de que temos de enfrentar a violência da tecnologia, da tecnosfera, parece-me ao mesmo tempo bela e essencial. E retoma também o que disseram no início desta conversa: trabalhamos, criamos e existimos a partir de dentro; não agindo sobre.

    Imagem de Capa
    How Heavy is a City?, 2015.
    ©Fiat Lux Experience. Cortesia Trienal de Arquitectura de Lisboa.

    M Vulfson é uma autora/escritora de artes e cultura apaixonada pelo poder da arte e o seu impacto no mundo em que vivemos. Os seus textos e pesquisas centram-se na interculturalidade radical e na resistência colonial, bem como em temas relacionados: a ecologia e a teoria queer.

    Notas de Rodapé
    1. Em “The Anthropocene”, Global Change Newsletter 41 (maio de 2000), CRUTZEN, Paul; STOERMER, Eugen F. propuseram o termo ‘Antropoceno’ para designar a atual época geológica, “considerando ... a dimensão e o crescimento do impacto das atividades humanas sobre a Terra e a atmosfera, a todas as escalas, incluindo a global”. O texto sublinha o papel central da humanidade na geologia e na ecologia, e reconhece que “na ausência de grandes catástrofes ou da contínua depredação dos recursos da Terra, a humanidade continuará a ser uma força geológica relevante por milénios, talvez milhões de anos”. Cunhado por Stoermer nos anos 1980 e popularizado por Crutzen nos anos 2000, o termo deu origem a um debate alargado. Em 2021, o Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno (AWG) propôs formalmente a sua inclusão como nova época na escala do tempo geológico (GTS), em substituição do Holoceno — a época geológica em curso desde o Último Período Glaciar, há 11.700 anos. Em 2024, porém, a Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS) e a União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS) rejeitaram a proposta.
    2. PALMESINO, John; RÖNNSKOG, Ann-Sofi. “Editorial.” Intensification. e-flux Architecture 3 (2025): 1 (1-2).
    3. A Trienal de Arquitectura de Lisboa 2025: How heavy is a city? desenvolve-se em torno de três exposições — Fluxes, Spectres e Lighter — que investigam a intensificação dos fluxos materiais, o aumento exponencial da energia da cidade no Antropoceno, e a dimensão estética da cidade contemporânea, que ocupa não só a matéria, mas todo o espetro eletromagnético. Refletem também os espetros da modernidade, da colonização e do império, e propõem uma leitura da cidade atual como "já habitada de forma leve", inserindo os seres humanos na cidade das algas, fungos, plantas, animais e bactérias. Citado da entrevista com PALMESINO, John; RÖNNSKOG, Ann-Sofi, 23 de abril de 2025.
    4. Formulada na década de 1970 pelo químico James Lovelock e pela microbiologista Lynn Margulis, a hipótese de Gaia propõe que "logo após o surgimento da vida, esta assumiu o controlo do ambiente planetário e (...) [a] homeostase gerada pela e para a biosfera mantém-se desde então." LOVELOCK, James E.; MARGULIS, Lynn. “Atmospheric homeostasis by and for the biosphere: the gaia hypothesis.” Tellus 26:1-2 (1974): 2-10.
    5. A cibernética do sociólogo e filósofo Andy Pickering “reconhece a incognoscibilidade e a imprevisibilidade de um ambiente em constante criação”, onde humanos e não-humanos participam num "teatro ontológico". Citado de METAPHORUM. “Ontological Theatre. Cybernetics, Performance and Materiality – Andrew Pickering.” Metaphorum. Disponível em: metaphorum.org/ontological-theatre-cybernetics-performance-and-materiality-andrew-pickering. Ver também PICKERING, Andrew. The Cybernetic Brain: Sketches of Another Future. Chicago: University of Chicago Press, 2010.
    6. LATOUR, Bruno. “Agency at the time of the Anthropocene.” New Literary History 45 (2014): 1-18.
    7. O Observatório do Antropoceno — uma complexa série de exposições, seminários e publicações — documentou a formação da tese do Antropoceno em diversas disciplinas. A tese sustenta que entrámos numa nova época geológica, definida pela ação humana, dado que “as alterações provocadas pelos humanos no clima, na terra, nos oceanos e na biosfera são agora tão significativas e tão rápidas” que justificam uma nova perspetiva. Ver mais em TERRITORIAL AGENCY. “Anthropocene Observatory.” Territorial Agency. Disponível em: territorialagency.com/anthropocene.
    8. HAFF, Peter. “Technosphere.” In: WALLENHORST, Nathanaël; WULF, Christoph (eds.). Handbook of the Anthropocene. Springer, 2023: 537-541.