Uma conversa entre António Bolota e a curadora e crítica Marta Espiridião que traz a memória viva de um projecto absolutamente singular nas artes em Portugal: o Avenida 211, apresentado em formato de exposição-arquivo no MAC/CCB. Ao longo desta conversa, caminhamos entre vários tempos e memórias, desde o prelúdio do Avenida e as ideias e experiências que o precederam; como o projecto se enraizou e expandiu; que premissas permitiram o desenvolvimento de um espaço de verdadeira liberdade (e em plena Avenida da Liberdade); e de que forma os seus impactos se prolongam até ao presente, em práticas, em pessoas e na própria cidade de Lisboa. Falamos da recorrência, ao longo da trajectória do artista, de uma vontade inesgotável de fazer em conjunto, de criar espaços e possibilidades de experimentação, diálogo e aproximação, mas também de contribuir activamente para a cidade e para a sua comunidade artística. São contribuições que nascem organicamente da convivência e da criação, do tempo e do espaço partilhados, da presença e da entreajuda — e por isso, esta conversa é também sobre afectos, sobre o que significa criar comunidade, alimentá-la com pequenos e grandes gestos (e espaços), e continuamente mantê-la viva e aberta. E porque o fim do Avenida 211 não foi um ponto final, mas uma canção que ainda ecoa, falamos de outros projectos que lhe sucederam, continuações naturais desta disponibilidade para receber de braços abertos, para alimentar ideias e concretizações que cada vez mais parecem impossíveis, e para reavivar a possibilidade de imaginar a construção comum da liberdade artística.
Conversa entre António Bolota e Marta Espiridião
Conversa
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